domingo, 1 de agosto de 2010

Modelo de Defesa Preliminar - Porte de Arma de Fogo

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA COMARCA DE ___________________, SÃO PAULO.







Autos: 05/2006
Autora: Justiça Pública
Acusado: FULANO DE TAL



                                                                       FULANO DE TAL, por seu advogado que abaixo subscreve, nos autos da ação movida pela Justiça Pública, como incurso no artigo 16, § único, inciso IV da Lei n° 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento), vem, através do presente, com o costumeiro acatamento, perante Vossa Excelência, apresentar DEFESA PRELIMINAR, requerendo a improcedência da acusação que lhe é feita pelos motivos de fato e de direito a seguir:

                                                                       Fulano de Tal responde ao presente procedimento penal, onde, segundo denúncia oferecida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, supostamente portava arma de fogo, marca Taurus, com numeração raspada, Calibre 38, sendo que o acusado teria deixado-a debaixo do banco de seu veículo.
                                                                      

                                                                       A acusação imputada ao réu deve ser julgada IMPROCEDENTE.

                                                                       Em que pesem as afirmações constantes na denúncia, como se pode observar, a arma foi encontrada pelos policiais militares somente depois de ter o réu sido conduzido à Delegacia de Polícia, de maneira que, no momento da abordagem nada foi encontrado. Sequer foi aventada a possibilidade da existência da arma.

                                                                      Mesmo tendo sido encontrada a arma, não há como se falar que o revólver pertence ao acusado, uma vez que qualquer outra pessoa poderia ter deixado aquela arma no local.

                                                                       As declarações dos policiais militares, afirmando que o réu ou sua namorada teriam feito menção à arma dentro da repartição policial não são verídicas, conforme se comprovará durante a instrução desta ação penal.

                                                                       O Inquérito Policial é falho e não esclarece, de forma clara, a autoria delitiva, pois não foi explicado devidamente o fato de a arma ter sido encontrada somente posteriormente, após retorno dos policiais ao local dos fatos.

                                                                       As testemunhas, que eram os próprios policiais que abordaram o réu, durante a fase de investigação, nada esclareceram quanto à autoria do crime.                                                        
        
                                                                      As declarações da namorada do acusado são baseadas em emoções, uma vez que o relacionamento estava sendo desatado naquele momento. Talvez a namorada esteja querendo incriminá-lo, uma vez que não aceita o fato de o réu ter rompido o relacionamento.

                                                                       Não se pode condenar uma pessoa quando há dúvidas quanto á autoria delitiva.

                                                                       É claro o princípio in dúbio pro reo que nada mais significa que “na dúvida deve-se decidir a favor do réu”. Segundo Fernando Capez, ao lecionar sobre os princípios informadores do Processo Penal: “A dúvida sempre beneficia o acusado. Se houver duas interpretações, deve-se optar pela mais benéfica; na dúvida, absolve-se o réu, por insuficiência de provas [...]”
                                                                       A dúvida quanto à autoria do delito é clara, tendo em vista que o revólver não foi encontrado sob a posse do acusado. Também não se pode dizer que o acusado guardava a arma dentro de seu veículo, pois a arma foi encontrada tempos depois próximo à rodovia.
                                                                       Não se pode negar – o que a meu ver está claro – a inocência do acusado. Caso esta ação penal seja julgada procedente, haverá um dano irreparável ao réu.
                                                                       Isto posto, tendo em vista a inexistência de provas suficientes para a condenação do réu, sendo certo que o mesmo não praticou o delito pelo qual vem respondendo, salientando que a arma de fogo não foi encontrada efetivamente sob sua posse, requeiro, por medida de justiça, a IMPROCEDÊNCIA da Denúncia absolvendo o réu Fulano de Tal do delito que lhe é imputado.

                                                                       Provar-se-á as alegações supra por todos os meios de prova permitidos em direito.
           
                                                                       Segue abaixo o rol das testemunhas que comparecerão à audiência designada por Vossa Excelência.

Nestes Termos,
Pede e espera deferimento.

                                               São Paulo, 30 de setembro de 2010.

ADVOGADO
OAB/SP 222.222

Testemunhas:
Cicrano de Tal, brasileira, funcionária pública municial, residente e domiciliada na rua 13, nº. 13, nesta cidade.

Beltrano, brasileiro, casado, agricultor, residente na Avenida Jacob Luiz, n° 222, nesta cidade.

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